Acabo de me lembrar de uma pessoa que é um ícone da pureza original e um celeiro da "língua em uso" dos sertoes paraibanos. Para relatar suas peripécias linguísticas, a chamarei pelo pseudônimo de Dona Chiquinha, a mulher mais sabida que eu conheço. É como se ela estivesse na minha frente agora dizendo: Deixe de ser maluvida!!! Deixe de lundum!!! Eu sei là daquele cangueço!!! Bem, mas esta historia nao è para listar as pérolas desta lusofalante.
O que eu recordo fortemente agora é a historia relacionada ao nao uso dos artigos definidos antes dos substantivos próprios. Sem mais delongas, esclareço: Na Paraìba, como tambèm em outros estados nordestinos, nao se usa os artigos definidos antes dos nomes próprios. Por exemplo, nao se diz: o Severino, o Juvenal, o Vicente, mas, diz-se: Sever¡no, Juvenal, Vicente. Assim, a mulher sertaneja aqui em tela, sendo uma preciosidade da cultural local, desconhecia em plenitude o uso dos mencionados artigos lá pelas bandas de Sao Paulo. Por conseguinte, um dia, chega de Sao Paulo uma aderente sua, igualmente uma nativa das caatingas. Esta mulé, evidentemente chiando aqui e chiando acolá, afinal a dita cuja tinha passado por volta de uns três ou quarto meses em Sao Paulo, se "achegou" a dona Chiquinha e disse:
Dona Chiquinha: O Caio, meu menino, dar muito trabalho, o caio nao come, o caio nao estuda, o caio pra lá, o caio pra cá, assim foi a ladainha que imperou no decorrer de toda a prosa..... O Caio impressiou de todas as maneiras dona Tiquinha. Desculpem!!! Eu quis dizer dona Chiquinha.
Assim, chegando em casa, ela se endireitou no tamborete e começou a declamar a história e foi quando eu escutei ela dizer:
Rita da minha aima, pense num menino bonito o de minha parenta que chegou do sul, o menino è aivo que mais parece um santo desses de apregar na parede. E sabe como è o nome dele?
O nome dele è OCAIO.
E, sempre desembestando na gaitada, ela segue com seus comentários. E é debaixo do alpendre que Dona Chiquinha externa suas impressoes. Agora me lembro da história de Galega, uma das coroas da cidade que ela viu pulando carnaval em Coremas, história esta que antecedeu os comentários a respeito do seu primo Hespedito. Assim ela introduziu:
- Estamos no fim do mundo, eu vi uma coisa nesse carnaval que me deixou birmada, eu tô birmada até agora. Um escandêlo! Galega tava com o namorado pulando carnaval num rojão que ninguém pegava, o caritó dela tá com os dias contados. Ela tava vestida que só tu vendo.
- Eu, por minha vez, quis saber com que roupa estava a señorita Galega
Com o tom didático que ela nunca abandona, disse em sobressalto:
- Preste atenção, que vou lhe dizer como ela tava. Ela tava com essas roupas de hoje em dia, que eu não entendo direito. Era um calção desses de cota, curto e com uma brusinha encarnada e um corpete que agora vem com umas ta de alça de siliconha.
O bom è que, em suas ânsias por manifestar sua visao de mundo, ela corre de um assunto para o outro com a ligeireza do seu pensar. Assim, de imediato ela, do nada, desembestou numa gargalhada que espantou as janagaias que faziam ninho no telhado do alpendre. E, enquanto se entalava na achada de graça, ela se explicou:
- Eu tô aqui lembrando de Hespedito... (seu primo e o morador do sítio vizinho, responsável por mais da metade das gargalhadas de Dona Chiquinha). È que tu precisa ver como Hespedito fala errado, vixi Nossa Senhora do Perpé do Socorro!
- Tu acredita que Hespedito chama sala de culurgia de sala de fulusufia? E luquidificador, esses de fazer ponche, ele chama de contador, KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK.....
O que eu recordo fortemente agora é a historia relacionada ao nao uso dos artigos definidos antes dos substantivos próprios. Sem mais delongas, esclareço: Na Paraìba, como tambèm em outros estados nordestinos, nao se usa os artigos definidos antes dos nomes próprios. Por exemplo, nao se diz: o Severino, o Juvenal, o Vicente, mas, diz-se: Sever¡no, Juvenal, Vicente. Assim, a mulher sertaneja aqui em tela, sendo uma preciosidade da cultural local, desconhecia em plenitude o uso dos mencionados artigos lá pelas bandas de Sao Paulo. Por conseguinte, um dia, chega de Sao Paulo uma aderente sua, igualmente uma nativa das caatingas. Esta mulé, evidentemente chiando aqui e chiando acolá, afinal a dita cuja tinha passado por volta de uns três ou quarto meses em Sao Paulo, se "achegou" a dona Chiquinha e disse:
Dona Chiquinha: O Caio, meu menino, dar muito trabalho, o caio nao come, o caio nao estuda, o caio pra lá, o caio pra cá, assim foi a ladainha que imperou no decorrer de toda a prosa..... O Caio impressiou de todas as maneiras dona Tiquinha. Desculpem!!! Eu quis dizer dona Chiquinha.
Assim, chegando em casa, ela se endireitou no tamborete e começou a declamar a história e foi quando eu escutei ela dizer:
Rita da minha aima, pense num menino bonito o de minha parenta que chegou do sul, o menino è aivo que mais parece um santo desses de apregar na parede. E sabe como è o nome dele?
O nome dele è OCAIO.
E, sempre desembestando na gaitada, ela segue com seus comentários. E é debaixo do alpendre que Dona Chiquinha externa suas impressoes. Agora me lembro da história de Galega, uma das coroas da cidade que ela viu pulando carnaval em Coremas, história esta que antecedeu os comentários a respeito do seu primo Hespedito. Assim ela introduziu:
- Estamos no fim do mundo, eu vi uma coisa nesse carnaval que me deixou birmada, eu tô birmada até agora. Um escandêlo! Galega tava com o namorado pulando carnaval num rojão que ninguém pegava, o caritó dela tá com os dias contados. Ela tava vestida que só tu vendo.
- Eu, por minha vez, quis saber com que roupa estava a señorita Galega
Com o tom didático que ela nunca abandona, disse em sobressalto:
- Preste atenção, que vou lhe dizer como ela tava. Ela tava com essas roupas de hoje em dia, que eu não entendo direito. Era um calção desses de cota, curto e com uma brusinha encarnada e um corpete que agora vem com umas ta de alça de siliconha.
O bom è que, em suas ânsias por manifestar sua visao de mundo, ela corre de um assunto para o outro com a ligeireza do seu pensar. Assim, de imediato ela, do nada, desembestou numa gargalhada que espantou as janagaias que faziam ninho no telhado do alpendre. E, enquanto se entalava na achada de graça, ela se explicou:
- Eu tô aqui lembrando de Hespedito... (seu primo e o morador do sítio vizinho, responsável por mais da metade das gargalhadas de Dona Chiquinha). È que tu precisa ver como Hespedito fala errado, vixi Nossa Senhora do Perpé do Socorro!
- Tu acredita que Hespedito chama sala de culurgia de sala de fulusufia? E luquidificador, esses de fazer ponche, ele chama de contador, KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK.....
kkkkkkkkkkkkkkkkkk.. Gostei do "..ops!Desculpa..." .. E o OCAIO??? ..kkkk.. ô saudade dessas histórias contadas ao vivo..
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